sábado, 12 de junho de 2010

" O Cheiro "

Naquela noite, passou por mim.
Parou, ficou, foi embora.
Perdido, grudou no meu corpo
O cheiro esquecido no ar.

Como quem tem pressa peguei; num potinho guardei.
Foi embora.
E antes que reivindicassem algo perdido,
Carreguei-o por entre os dedos.

E naquela mesma noite,
Sem muita razão,
Impedi todo ar no corpo e mãos
(que pudessem com a água fugir).

O perfume, fraquinho, se segurava.
Fechei portas e janelas.
Fechei os olhos.
Deitei, pensei, dormi!

.............

Naquela manhã,
Como outras,
Um cheiro ou lembrança da noite
Prefeririam a noite como companhia.

Certamente, sentindo-se solto na noite,
Sairia por entre a tampinha e o pote.
E portas, e janelas, e suas frechinhas
Sempre cúmplices, dariam oportunidade.

Revejo, de repente, à noite o cheiro ante a porta.
Beijou o teto...
E ousou chegar tão perto
Que inalado é, inconscientemente, como uma droga.

E agora, simplesmente, eu à avessa.
E, subitamente, como droga,
Sem que eu perceba e dentro de mim,
Não sái da minha cabeça!!

10/10/09

^^

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